Sistema Eletrônico de Administração de Eventos da UFGD, Encontro Científico da VIII Semana Acadêmica de Relações Internacionais

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Para além da visão eurocêntrica: Resistência e autodeterminação dos Guarani-Missioneiros dos Sete Povos nas questões fronteiriças entre os ibéricos
Mateus Brunetto Cari

Última alteração: 2019-10-21

Resumo


Este estudo busca analisar questões relativas à autodeterminação desujeitos subalternizados nas Missões Jesuíticas dos Sete Povos na GuerraGuaranítica. Nesse sentido, entendemos que a cultura dos guarani não foi“aculturada”, passou por um processo de transformação, forjou-se um novo modusviventi entre os guarani das missões, a etnia dos guarani-missioneiro. Ou seja, osguarani-missioneiros não aceitaram passivamente a imposição unilateral de um novomodo de vida; muito do que se passava era negociado: os guarani aceitaram servassalos do rei, aceitaram formar barreira geopolítica contra o avanço lusitano nossete povos, aderiram as práticas cristãs, mas, em contrapartida, mantiveram-se emseu território e, em certa medida, cultivavam, ainda, suas práticas. Eram, pois,meramente instrumentos dos interesses da Coroa? Nossa hipótese indica o contrário:reconheciam-se enquanto portadores de direitos, enquanto sujeitos autodeterminados,enquanto sujeitos de sua própria história. Para isso basta observar os acontecimentosdepois do tratado de limites: Espanha e Portugal acreditavam em uma subserviênciadaqueles povos, o que se processou, entretanto, foi uma resistência que só pode serliquidada depois de poderosa coalizão militar entre os ibéricos. Assim,problematizamos como era a perspectiva dos guarani-missioneiros das relaçõesinternacionais entre os impérios ibéricos, observando como se construiu no imaginárioguarani-missioneiro a figura dessas monarquias absolutistas. Buscamos entendercomo os guarani-missioneiros se apropriaram dessas relações e como seposicionaram frente aos diferentes movimentos que envolviam as relações entreEspanha e Portugal. Nesse sentido se encontra o núcleo da questão: da mesma formaque a Coroa se valia dos indígenas para seus próprios interesses, os indígenas sevaliam das suas relações com o mundo colonial para a perpetuação dos seus, demodo que quando o negociado exclui o indígena do processo através do tratado deMadri, os sujeitos resistem e lutam por seus direitos.

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